segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Que Aconteceu com os Adventistas que Disseram NÃO a Hitler - 1

Para nossa vergonha como adventistas do sétimo-dia, apenas os irmãos do Movimento da Reforma estão historicamente autorizados a contar o que aconteceu aos heróis da fé durante a 2ª Guerra Mundial. Veja:
Perseguição sob o regime totalitário
Sob o governo nazista na Alemanha, a liberdade religiosa foi pouco a pouco suprimida. O Movimento de Reforma logo seria proibido. Nossos irmãos, principalmente os obreiros, seriam declarados fora da lei. As propriedades seriam confiscadas pelo Estado. Por isso, enquanto ainda havia oportunidade, em 1935, as propriedades da União Alemã foram vendidas. A casa da missão em Isernhagen, perto de Hannover, e a gráfica, que havia sido nosso principal centro missionário, tiveram de ser entregues a estranhos por baixo preço.


Equipamentos, móveis, arquivos e livros foram transferidos para uma casa alugada na vizinhança do antigo local da igreja. Ali os irmãos conseguiram trabalhar por apenas breve espaço de tempo. Vindo o esperado decreto da proibição, a polícia confiscou tudo o que encontrou na casa e lacrou as portas. Entretanto, recursos financeiros, documentos e literatura da União já haviam sido postos em segurança.
Por meio de uma ordem de 29 de abril de 1936, nossa igreja foi proibida de funcionar na Alemanha:
"Em base do decreto de 28/2/1933, parágrafo primeiro, assinado pelo presidente da República, para a proteção do povo e do Estado (Jornal da Lei Federal 1, pág. 83), a seita chamada ‘Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma’ está dissolvida e é proibida em todo o Território Federal. Suas propriedades deverão ser confiscadas. Qualquer infração deste decreto será punida de acordo com o parágrafo quarto do decreto de 28/2/1933.
"Razões:
"Sob o disfarce de promoverem atividades religiosas, os ‘Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma’ desejam alcançar objetivos que conflitam com a ideologia do Socialismo Nacional [nazismo]. Os seguidores dessa seita recusam-se a prestar serviço militar e a fazer a continência alemã. Declaram publicamente que não têm pátria, porque são de mentalidade internacional, e consideram todos os seres humanos irmãos. Visto que a atitude da seita tende a causar confusão, sua dissolução é necessária para proteção do povo e do Estado. Assinado por R. Heydrich."
Em 12 de maio de 1936, nossa União Alemã foi declarada "dissolvida" pela polícia secreta (Gestapo).
Depois de conselho mútuo, os líderes dos ASD Movimento de Reforma resolveram entregar uma petição escrita às autoridades solicitando audiência. No segundo encontro, no gabinete de Heydrich, nossos três irmãos ouviram que toda a questão dependia de nós. Perguntaram a respeito da nossa posição com referência ao serviço militar e à saudação alemã. Nossos irmãos responderam:
— Precisamos recusar saudação que envolva confissão política.
E quanto a matar, disseram:
— Seguimos as palavras de Cristo em Mateus 5:44: "Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem."
Heydrich replicou:
— Então vos recusais por todos os meios a prestar serviço militar.
Nossos irmãos responderam:
— Atemo-nos à Palavra de Deus e devemos rejeitar as exigências que se chocam contra ela.
Nossos irmãos renovaram a petição e tiveram resposta em 12 de agosto de 1936:
"A exposição contida em vosso escrito de 27 de julho de 1936 não me dá razão para suspender a proibição da seita ‘Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma’. Assinado R. Heydrich."
Sob o regime de Hitler todas as nossas atividades religiosas foram proibidas. Nossos jovens foram submetidos a severas provas quando chamados a portar armas, pois não havia previsão para proteger objetores de consciência. Os pais tinham de enfrentar problemas relacionados ao Sábado com os filhos em idade escolar. [211] Era provação sobre provação. Por dez anos, até o fim da Segunda Guerra Mundial, nossos irmãos trabalharam clandestinamente. Durante esse terrível tempo de angústia, muitos de nossos irmãos tiveram de enfrentar prisão e até morte.
A provação veio também sobre a Igreja ASD, porém eles encontraram solução fácil que nosso povo não pôde endossar. ...
Nesse ponto, a luz por nós recebida através Espírito de Profecia diz:
"Nossos irmãos não podem esperar a aprovação de Deus enquanto põem seus filhos onde lhes seja impossível obedecer ao quarto mandamento. Devem esforçar-se para fazer com as autoridades arranjos pelos quais as crianças sejam dispensadas das aulas no sétimo dia. Falhando isso, é evidente o seu dever — obedecer aos mandamentos de Deus, custe o que custar." —Historical Sketches of the Foreign Missions of the SDA (Esboços Históricos das Missões Estrangeiras dos Adventistas do Sétimo Dia), pág. 216.
Quando a opressão religiosa na Alemanha alcançou o clímax, Deus interveio em favor de Seu povo. Após quase dez anos de proscrição e perseguição, nossos irmãos alemães ficaram gratos a Deus pelo fim da oposição em 1945 e pelo fato de poderem de novo respirar livremente e reunir-se em paz. Suas primeiras reuniões distritais, após a Segunda Guerra Mundial, foram realizadas em Solingen (14-15 de setembro de 1945) e em Esslingen (26-28 de outubro de 1945).
No periódico Der Adventruf (O Chamado do Advento) de dezembro de 1946, primeira edição, relataram:
[213]
"Durante a guerra as experiências dos irmãos, de acordo com os seus testemunhos, mostram que o Senhor guiou Seu povo de maneira maravilhosa através de tempos trabalhosos. Tribulação, encarceramento e perseguição aproximaram os irmãos ainda mais uns dos outros. Louvamos nosso Senhor e Salvador por esse grande auxílio. ...
"Dez anos de opressão e perseguição ficaram para trás. O Senhor não consentiu em que Seu povo fosse aniquilado. ... Muitos irmãos perderam a vida por causa de sua fé: irmãos Hanselmann, Schmidt, Zrenner, Brugger, Blasi e muitos outros dos quais não fomos informados. Sabemos apenas que permaneceram fiéis até a morte. Muitos, irmãos e irmãs, jovens e velhos, tiveram de sofrer em campos de concentração, prisões e penitenciárias, onde padeceram torturas em mãos de carrascos."
Que terrível dia será aquele em que os homens forem chamados a prestar contas do sangue inocente que derramaram! -- Copiado do livro A História dos Adventistas do Sétimo Dia — Movimento de Reforma, págs. 209-213.
O Que Aconteceu com os Adventistas que Disseram NÃO a Hitler - 2

Narraremos a seguir algumas experiências individuais que mostram quanto nossos irmãos reformistas tiveram de sofrer, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial:

Irmã "fraca na fé" delata missionários disfarçados
Gheorghe Panaitescu
O irmão Panaitescu trabalhava na Alemanha quando Hitler subiu ao poder em 1933. Contou-nos o que aconteceu a ele e a outros, de 1933 a 1939, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial.
Sendo obreiro bíblico, era seu dever visitar nossas igrejas, grupos e membros isolados, com o presidente do Campo Setentrional, irmão Joseph Adamczak. Oficialmente não podiam ser missionários. Por isso viajavam como representantes de uma casa de sementes, vendendo também mudas de árvores frutíferas, hortaliças, flores, etc. Não conseguiram, porém, trabalhar por muito tempo dessa forma, pois foram delatados. Tiveram problemas sérios com as autoridades quando estas descobriram que o real propósito das viagens deles era fazer trabalho missionário em favor da igreja proscrita.
Embora nossos cultos fossem proibidos, os irmãos, de duas ou três famílias, reuniam-se aos Sábados em casas particulares. Certo Sábado tiveram excepcionalmente uma reunião maior. Quase 35 membros se congregaram na casa do irmão Adamczak, em Hannover, para celebrar a Ceia do Senhor e receber na comunhão um irmão recém-batizado. Tiveram naquele dia uma experiência que nos lembra a de Paulo, muitas vezes em perigo entre falsos irmãos.
Foram delatados por uma irmã "fraca" na fé. Em resultado, todos os [214] que se encontravam na reunião — dois ministros, o tesoureiro da União, vários obreiros, colportores e leigos — foram intimados a comparecer em juízo, em 9 de janeiro de 1937. Todos foram julgados e condenados à prisão: os ministros e o tesoureiro da União por um ano, os obreiros bíblicos e os colportores por seis meses, e leigos, inclusive a irmã Panaitescu, por dois meses.
Nessa época o irmão Panaitescu fugiu para a Suíça e, dali, emigrou com a família para a Argentina, onde passou a desfrutar liberdade religiosa.

"O pior ainda está para vir"
Johann Georg Hanselmann
O irmão Hanselmann foi um de nossos líderes fiéis. Como delegado pela Alemanha, compareceu a todas as nossas assembléias da Conferência Geral realizadas antes de ser preso e morrer.
O Movimento de Reforma na Alemanha foi declarado ilegal em abril de 1936. Sendo assim, só havia uma possibilidade de nossos irmãos estarem em harmonia com a vontade de Deus: trabalhar clandestinamente e suportar as conseqüências. Por agir assim, o irmão Hanselmann, líder do nosso Campo Alemão Oriental, foi preso em setembro de 1936.
Em 27 de janeiro de 1937, a polícia secreta do Estado expediu o seguinte comunicado a respeito do irmão Hanselmann:
"Em relação às medidas de proibição tomadas contra líderes, ministros e colportores da Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma, o atual líder da Alemanha Oriental, Johannes Hanselmann, ... foi ... detido para investigação. ..."
Logo depois, foi expedido mandado de prisão em 23 de março de 1937, sob as seguintes acusações:
"Ele (Johann Hanselmann) dirigiu o carro através da Saxônia, Brandenburg, Pomerânia, Silésia e Prússia Oriental. Visitou os seguidores dessa seita, realizou estudos bíblicos, celebrou a Ceia do Senhor de acordo com o rito dessa seita proibida e recebeu dinheiro que havia sido arrecadado.
"O acusado diz também que, por princípio religioso, evita discussões seculares, e em todas as ocasiões dá livre testemunho da Palavra de Deus, conforme escrito na Bíblia."
Por esses "crimes" foi julgado e ficou preso até 2 de outubro de 1937.
Logo depois, foi preso novamente, julgado em Halle/Saale, acusado e sentenciado a dois anos de prisão, pelas seguintes "razões": [215]
"O acusado foi anteriormente ministro da seita dos ‘Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma’, proibida em todo o país em 29 de abril de 1936 por decreto do principal assessor da polícia secreta.
A referida seita, com sede em Isernhagen, separou-se da Igreja Adventista do Sétimo Dia, a grande, em 1914, porque os adventistas, contrariamente a seus princípios de fé, permitiram a seus seguidores prestar serviço militar. Os reformistas entendiam que os adventistas não tinham autoridade para dar essa permissão aos membros.
O contraste entre adventistas e reformistas aumentou depois da revolução nacional. Enquanto os seguidores da Igreja Adventista do Sétimo Dia se resguardavam, sem exceção, em sujeição ao governo nacional-socialista, faziam a saudação germânica, matriculavam os filhos em organizações nazistas e prestavam serviço militar, os adeptos do Movimento de Reforma mantiveram os antigos princípios de fé. Sob o disfarce de movimento religioso, pretendem alcançar objetivos contrários à cosmovisão do socialismo nacional. Recusam-se, portanto, a servir no exército, não adotam a saudação germânica, não apóiam as organizações nazistas, tais como NSV, RLB e WHM. São internacionalmente assim orientados, pois não reconhecem pátria e consideram todos os seres humanos irmãos.
"Os reformistas adotam o ponto de vista de que só podem obedecer à lei enquanto não contradisser a Bíblia, porque para eles importa mais obedecer a Deus que aos homens."
Findos os dois anos, o ir. Hanselmann foi novamente levado ao tribunal. Na noite anterior à última audiência, não conseguiu dormir. Estava aterrorizado. Perto do amanhecer, já muito exausto, finalmente adormeceu e sonhou que precisava atravessar escuridão espessa que lhe causou grande temor. Então ouviu uma voz que dizia: "Não temas, Johann, Eu estou contigo." Depois, despertou. Todo o temor desaparecera e sentiu-se encorajado a morrer pela fé.
O relógio de bolso e alguns pertences foram enviados para a esposa.
Numa carta a ela, escreveu resumidamente: "O pior ainda está para vir. Estou sendo levado para o campo de concentração de Sachsenhausen."
Em maio de 1942, a irmã Hanselmann recebeu o informe oficial de que o marido havia adoecido. Contraíra disenteria e morrera no campo de concentração. Um colega da prisão, relatou posteriormente que, por haver-se recusado a trabalhar no Sábado, o pastor Hanselmann, com as mãos amarradas para trás, foi levantado e sufocado até a morte.
Declaração de renúncia de sua "fé louca"
Gottlieb Metzner
O irmão Metzner foi testemunha atuante em favor da mensagem de reforma. Conduziu várias almas a Cristo. Entre elas, o irmão Gustav Psyrembel, amado e corajoso batalhador da fé, um dos primeiros mártires do Movimento de Reforma.
Outra alma preciosa trazida por ele para a verdade foi a irmã Kiefer, cujo marido, terrivelmente irado, invadiu a casa do irmão Metzner com um machado, para matá-lo. A irmã Kiefer foi detida num Sábado. Foi lançada na prisão, e maltratada. Contudo, nada foi capaz de impedi-la de aceitar a verdade. Depois de libertada, selou a fé com o batismo. Em resultado disso, o nosso irmão tornou a sofrer: Em 1944 foi levado para o campo de concentração de Esterwegen, perto de Osnabrück. Como tivesse família grande, e também por outros fatores que foram levados em consideração, as autoridades o libertaram depois de seis meses.
Durante a ausência dele, os quatro filhos em idade escolar eram obrigados pela polícia a freqüentar a escola. A casa era investigada, e a família constantemente multada, o que acabou onerando pesadamente a escassa renda de sua pequena fazenda.
Esses métodos não desanimaram o casal, embora nosso irmão fosse muitas vezes intimado a comparecer a interrogatório judicial.
Em 1939 os filhos foram tirados com violência do lar e levados para outro lugar, a fim de receberem escolaridade. O irmão Metzner foi preso pela última vez em 19 de outubro de 1944. Na polícia secreta de Breslau, apresentaram-lhe uma declaração de renúncia de sua "fé louca". Garantiram-lhe que, assim que a assinasse, os quatro filhos receberiam permissão imediata para voltarem para casa.
Um policial ali presente relatou depois que o acusado havia declarado que havia muitos anos cria na Palavra de Deus, e agora via tudo cumprir-se. Percebia também o completo colapso do totalitarismo e não podia nem devia renegar a fé, nem negar a Deus. Esse foi o último testemunho que ouvimos do irmão Metzner. Como verdadeira testemunha de Cristo, permaneceu fiel até a morte na prisão. O único filho homem do casal também foi preso, e nunca mais voltou.
Apenas o coração de mãe seria capaz de suportar tragédia semelhante. Somente em 1945, quando o sistema ditatorial culpado de tamanhas crueldades veio abaixo, a Sra. Metzner pôde ter de novo em sua companhia as três filhas, através da maravilhosa direção de Deus. (Resumido e adaptado do livro And Follow Their Faith (Imitai-lhes a Fé), págs. 7 e 8).
Traído por um ministro adventista diante do tribunal
Gustav Psyrembel
O irmão Metzner serviu como instrumento para que um jovem de Karlsmark, distrito de Brieg, conhecesse o Movimento de Reforma.
Estava surgindo o poder totalitário estatal na Alemanha e os militares exigiam que os cidadãos tomassem posição definida em defesa da pátria. Como resultado, o jovem Gustav Psyrembel, foi convocado.
Fazia pouco tempo que se havia casado, quando chegou a intimação para o alistamento. Psyrembel recusou-se a cumprir o dever militar por crer no Evangelho da paz anunciado por Cristo.
Declarou em termos breves e claros que se negava a participar de treinamentos de guerra por ser atitude incompatível com o espírito pregado no Sermão da Montanha. Tinha plena certeza de que todos quantos cressem no Evangelho deveriam estar unidos numa comunidade internacional, e que era sua tarefa "buscar e salvar o que se havia perdido."
Portanto, ao lado dos companheiros de fé, não podia, conscientemente, concordar com a participação na guerra sanguinolenta entre nações, nem com outras coisas referentes a ela.
Foi preso, e depois de infrutíferos esforços para mudar seu modo de pensar, foi levado perante a corte marcial em Berlim. Disseram-lhe que devia prestar contas de suas ações, não diante de um concílio de igrejas, mas da corte militar. Tentaram persuadi-lo de que todo homem deve obedecer o governo.
Psyrembel corajosamente testificou que o reino de Deus não é deste mundo e, portanto, os seguidores de Cristo não podem lutar por reinos da Terra. Então apresentaram-lhe uma carta longa, escrita por um ministro adventista do sétimo dia, que recomendava a defesa da pátria como dever cristão. O jovem, de pé, perante o tribunal superior de guerra, traído por ministros da Igreja Adventista que o acusavam de ter pontos de vista errôneos, declarou firmemente que não podia servir a dois senhores.
Segundo suas convicções, somente a cristandade apostatada podia estar com a Bíblia numa das mãos e a espada na outra. Toda igreja que agisse dessa maneira não tinha a eficácia da piedade, mas apenas a aparência.
Psyrembel foi condenado à morte. Numa carta cheia de pormenores à esposa, expressou pesar ao saber que um ministro adventista, em carta dirigida ao tribunal, o havia traído e apresentado sob falsa luz sua posição. Nem essa traição o desanimou. Numa cela solitária, esperou o dia da execução da sentença.
Só Deus sabe que sentimentos passaram na alma desse soldado da cruz durante aqueles dias tenebrosos. Sua última carta mostra que o Espírito do Senhor [218] havia posto seus pensamentos acima de toda privação, sofrimento e necessidade. Seus olhos estavam dirigidos para cima, para além deste mundo em conflito com Deus. Ele possuía a certeza serena de que "todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão", o que se cumpriu literalmente na História em 1945, cinco anos depois de sua morte.
As cidades onde ele foi prisioneiro por causa da fé, onde a corte militar o sentenciou à morte e seu sangue foi derramado, foram destruídas por um bombardeio. E nós, mais uma vez nos lembramos de que "tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Condensado do livro And Follow Their Faith, págs. 9, 10, 13 e 14).
Cada dia que surge pode ser o último para mim...
Eis as últimas cartas do irmão Psyrembel à sua esposa:
Berlim, NW 40, 12 de março de 1940
Querida ...
A paz do Senhor esteja contigo.
Aproveito esta oportunidade para escrever algumas linhas, porque cada dia que surge pode ser o último para mim. ... Portanto, não devemos ceder na hora da decisão. Este é o caminho certo, a verdade. Esta obra é de Deus, e Ele não permitirá que pereça. É lamentável que muitos irmãos [na tríplice mensagem] se desviem do caminho certo, abandonem o Líder e Sua bandeira, separem-se dEle, comecem a duvidar de Seu divino amor e orientação, e O entristeçam.
Algum dia eles se arrependerão amargamente e reconhecerão seu erro, mas talvez seja tarde para sempre e não haja auxílio nem salvação. Não compreendem que estão traindo os que se apegam firmemente a Deus, tornando a batalha indizivelmente mais pesada. Quando um caso semelhante ao meu chega ao tribunal de guerra, [os oficiais] dizem:
"Os outros [adventistas] estão plenamente convencidos de que estão cumprindo o dever sem violar a consciência e sem violar os mandamentos de Deus. Por que você não faz o mesmo?"
É muito difícil em tal caso defender a verdade, explicar nossa posição para as autoridades e dizer que não podemos agir de outro modo. Fui repreendido outra vez por causa de minha "resistência ao ensino" e minha "obstinação". Esses [crentes transigentes], especialmente os ministros, têm conseguido enganar o povo.
Por meio de falsas representações da verdade, eles nos descrevem como criminosos e iludidos. Não contentes em evitar conflito e fugir das dificuldades, procuram também justificar suas ações erradas mediante declarações e exemplos irrelevantes das Escrituras.
Percebi isso na longa carta de sete páginas, recebida de um ministro [219] que usou argumentos supostamente confirmados pelos Testemunhos.
Porém, nada disso nos deve abalar. A verdade continua sendo verdade, e o que é correto continua sendo correto. O futuro há de revelar de que lado está a verdade. ...
Na esperança de ainda nos encontrarmos, encerro esta carta. Que o Senhor esteja com você. Receba as cordialíssimas saudações e os beijos de seu extremoso marido.
Transmita as melhores saudações a todos os que sempre pensam em mim. Seu Gustav.
Querida, amanhã serei executado...
Berlim, NW 40, 29 de março de 1940
Querida ...
Saudações com 2 Coríntios 4:16-18.
Acabei de saber que amanhã, dia 30, às 5:00 h da manhã, serei executado. Mais uma vez tive oportunidade de fortalecer-me com a Palavra do Senhor nesta última jornada. Trouxeram um Novo Testamento para eu ler. (Mas recebi comida escassa). As porções de pão que nos dão aqui são minguadas, e, em geral, tudo é muito mais estrito do que em Plötzensee.
Tenho, porém, suportado tudo com alegria e paciência, pois conheço Aquele por quem faço todas essas coisas e sei que não sou o primeiro nem o único a ser contemplado com esse quinhão.
Diz o Senhor: "Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos Céus." "Levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima." Essas promessas preciosas são o que nos mantêm empenhados nesta batalha renhida, porém maravilhosa. O Senhor prometeu Sua proteção e poder, e está pronto a concedê-los a Seus filhos quando necessitarem. Tenho experimentado isso em todos esses anos de luta.
O Senhor seja louvado e exaltado! É Ele que me tem mantido sadio de corpo e alma e tem-me dado Sua alegria e Seu amor em grande medida. Ele não me deixará nesta hora extrema. Não devemos entristecer-nos, mas alegrar-nos ao considerar o privilégio de sofrer e morrer por Sua causa.
"Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida." Ele prometeu e, com fé neste poder e salvação, partirei desta vida na esperança, meus queridos, de que nos veremos outra vez em Seu reino, para estarmos eternamente com Aquele que nos amou até a morte.
Ali viveremos na paz e felicidade imperturbáveis e inseparáveis pelas quais tanto ansiamos na Terra. Seremos como os que sonham e dificilmente compreenderemos a felicidade que será o galardão de criaturas pecadoras e indignas como nós, que merecem castigo e morte. Que precioso privilégio é saber e crer em tudo isso.
Quanto a você, querida esposa, não permita jamais que esse precioso tesouro [220] lhe seja tirado das mãos. Confie no Senhor em todas as circunstâncias da vida. Ele estará ao seu lado e nunca a deixará. Supere a dor e complete a carreira. Console-se e tenha bom ânimo.
Eu não desistiria desta fé nem por todo o mundo. Aquele que ama a Cristo jamais poderá deixá-Lo. O Senhor concederá êxito a todos os Seus filhos que se empenham em guardar os Mandamentos.
Será também consolo para você saber que não serei sepultado vivo.
Espero que o Senhor a sustenha. Que Ele a abençoe e guarde. Que sobre você Ele ponha Sua proteção e graça, e lhe conceda a paz! Este é meu último desejo e oração. Amém!
Uma vez mais, e pela última vez, saudações sinceras de seu querido marido. Cordiais saudações à mãe e a todos os diletos irmãos e irmãs na fé, bem como a todos os parentes tanto do meu lado quanto do seu. Gustav Psyrembel. —And Follow Their Faith, págs. 10-13. -- Copiado do livro A História dos Adventistas do Sétimo Dia — Movimento de Reforma, págs. 213-220.
O Que Aconteceu com os Adventistas que Disseram NÃO a Hitler - 3

Condenado à morte por recusar-se a lutar na guerra
Anton Brugger
Informação obtida de Esther, noiva de Anton Brugger:
Batizado em Wörthersee (perto de Klagenfurt, Áustria), em 1922, Anton foi membro ativo e animado da Igreja da Reforma. Quando eclodiu a guerra em 1939, conseguiu fugir para a Itália. Esther o encontrou certo Sábado numa reunião da Igreja Adventista de Trieste. Brugger apresentou a Esther a verdade pregada pelo Movimento de Reforma, a qual ela transmitiu a outros. Com a ajuda de Deus, foram estabelecidos grupos reformistas em Trieste e Milão.
A Itália ainda não havia entrado na guerra. O irmão Brugger foi a Gênova, e tentou embarcar num navio para os Estados Unidos. Mas não foi isso que aconteceu. Durante curta escala em Milão, onde o irmão Müller estava instruindo um grupo na mensagem de reforma, Anton foi preso pela polícia e, depois de ser mantido sob custódia por um mês, voltou para a Áustria, então sob domínio alemão.
Na Áustria, com sinistro pressentimento, por vários meses foi padeiro. Um dia o receio se tornou realidade: Foi convocado. Tendo-se recusado a prestar serviço militar, foi levado ao tribunal em Salzburg, onde foi condenado a passar dois anos num campo de concentração.
Cumprida a pena, foi novamente recrutado. Recusando-se novamente, e dando claro testemunho da verdade presente, foi levado à corte marcial em Berlim, onde foi condenado à morte como objetor de consciência. (Adaptado do livro And Follow Their Faith, págs. 40 e 41).

Querida mãe, hoje é meu último dia...
Transcrevemos a seguir duas cartas de Anton Brugger, escritas na prisão de Brandenburg-Gört, em 3 de fevereiro de 1943:
Minha querida e estimada mãe:
Peço-lhe que, ao receber estas linhas de meu adeus, não fique abatida, mas que seja forte e tenha bom ânimo. Recebi sua última carta amável, a qual me trouxe grande conforto. Seus esforços bem-intencionados em favor de liberdade condicional provavelmente serão inúteis. Ainda que obtivesse resultado, seria tarde demais, porque hoje é meu último dia. Sim, a situação realmente se tornou séria. Às 6h00 horas desta tarde minha sentença será executada.
Ah!, querida mãe, meu coração sofre muito pela senhora, que ainda terá de passar esse terrível pesar. Embora eu deseje poupar-lhe tudo isso, não posso agir de outro modo. Tenho de obedecer a consciência.
Desejaria muito fazer feliz seu coração maternal, fiel, nos dias da sua velhice, embelezar e tranqüilizar a sua vida. Mas já que este foi o decreto, não nos entristeçamos. Recebamos pacientemente das mãos de Deus esse fardo. Como sempre passando necessidade, não nos foi concedido permanecer juntos por muito tempo nesta vida.
Por isso, querida mãe, conforte-se na bem-aventurada esperança de que algum dia estaremos juntos para sempre com o Senhor. Essa certeza e esperança é meu maior conforto e força nesta hora de severa provação. Sei que meu misericordioso e benevolente Senhor e Salvador Jesus Cristo, o fiel Deus que me redimiu e que tem estado conosco até agora, também me concederá força e poder para a derradeira e dolorosa caminhada.
Peço-lhe encarecidamente: não se desespere. Confie no Senhor. Ele será seu conforto e auxílio. Não a abandonará. Faça tudo quanto puder para servi-Lo, a fim de que possamos ver-nos outra vez.
Peço-lhe que faça esforços especiais para lançar fora o ressentimento contra quem quer que a tenha ofendido. Refiro-me especificamente aos parentes de Saalfelden. Perdoe-lhes de todo o coração e esqueça todo o mal que fizeram. Lembre-se do que disse o Salvador.
Se não lhes perdoar as ofensas, não será perdoada. Deus nos trata como nós tratamos os semelhantes.
Peça a Deus que sempre lhe conceda força para vencer, e não desfaleça na luta contra o pecado. Então o Senhor lhe dará vitória.
Tenha sempre em mente que tudo está em jogo, mesmo a vida eterna, a qual só podemos obter se vencermos a nós mesmos e seguirmos o Salvador em Sua mansidão e humildade. Minha última súplica ao Senhor: que a senhora seja salva para o presente e para a eternidade.
Espero que tenha recebido também minhas cartas anteriores.
Tenho mais um pedido: Quero ser sepultado no cemitério municipal de Salzburg. Quando eu estiver lá, a senhora poderá visitar [222] de vez em quando o meu jazigo. Para isso, precisará enviar uma petição ao departamento da polícia distrital de Brandenburg-Havel, para que enviem para Salzburg a urna de seu filho que morreu em 3 de fevereiro de 1943, na prisão de Brandenburg. Então a urna será enviada ao departamento da polícia de Salzburg com o débito das despesas, que serão pequenas. Só depois disso será permitido o funeral.
Vá aos queridos Bliebergers e deixe que tomem informações na polícia de Salzburg. Façam todos os preparativos e realizem o último serviço de amor por mim. Que o Senhor abençoe grandemente a eles e a seus filhos!
Saúdo também a todos os queridos de toda parte. Que o Senhor os abençoe e guarde! Com o profundo amor de filho, saúdo-a na esperança de vê-la outra vez e a todos os nossos queridos na presença do Senhor. Beija-a o seu Anton. — And Follow Their Faith, págs. 48 e 49.
Prefiro o castigo da morte, marcada para hoje...
Minha amada Esther, estimado tesouro:
Lamentavelmente não foi possível ver-nos novamente. Ah, como desejei mais uma vez contemplar o seu lindo rosto e dirigir-lhe algumas palavras. Guardo sempre comigo sua bela fotografia.
Na contracapa da minha Bíblia o seu retrato está diante de mim.
Agora tome a Bíblia como lembrança minha. Espero tenha recebido minha última carta. Quando for ter com minha mãe, ela entregará estas cartas a você.
Nunca nos passou pela mente que nosso encontro em Niederroden seria o último. Eu sempre tive pressentimento de que grave e severa provação estava reservada para mim. Se não lhe disse nada, foi para não amedrontá-la. O que eu há muito receava e esperava acontecer tornou-se agora realidade. Ah!, quão alegremente eu desejaria viver para trabalhar e beneficiar os outros. Como seria bom trabalhar com você na prática do bem. Não poderia haver para mim felicidade mais completa do que essa.
Angustio-me só em pensar na tristeza de minha querida e boa mãe. Peço-lhe encarecidamente que cuide dela e a conforte. Ah!, eu sei que a você, igualmente, querida Esther, golpearei severamente.
Não desfaleça, porém. Antes, console-se no Senhor. Devemos receber com paciência das mãos dEle esse triste fim. Ele sabe o motivo por que nos permitiu sobreviesse tudo isso. Não há outro caminho a escolher. Não é possível, de acordo com a minha fé, tomar parte na guerra. Eu poderia ficar livre se apenas me submetesse a obedecer sem reservas a todas as ordens do governo, mas isso não posso [223] fazer sem conflito com a consciência.
Prefiro, portanto, sofrer o castigo da morte, marcada para hoje, 3 de fevereiro de 1943, às 6 horas da tarde. Embora seja penoso, o Senhor terá misericórdia de mim e me ajudará até o fim. Já que o desejo de nosso coração de estar unidos na Terra tornou-se agora impossível por essa realidade triste, devemos confortar-nos com a preciosa esperança de rever-nos no Senhor.
Confio na graça e na misericórdia do Salvador, que Ele me aceitará e graciosamente perdoará os meus pecados. Seja também fiel ao Senhor Jesus. Ame-O e sirva-O com todas as forças. Não se assombre, antes, conforte-se. Depois da vinda do Senhor ninguém poderá mais nos separar, nem a dor poderá nos acometer.
Saudações de minha parte a todos os queridos. Meu coração tem estado sempre com eles. Transmita especialmente recordações minhas a seus queridos pais e dileto irmão. ...
Eu ficaria contente em ser sepultado na terra, mas todos os executados aqui passam pelo crematório. Já solicitei à minha mãe que peça permissão para sepultar a urna com minhas cinzas em Salzburg, pois esse é o melhor lugar. Espero não ter vivido em vão.
Agora, querida, amada minha, que o Senhor abençoe a você e aos seus queridos, e a proteja e ajude misericordiosamente para que possamos ver-nos outra vez para sempre ao lado dEle em Seu glorioso reino de paz. Amo você com ternura até o fim. Adeus, querida, Auf Wiedersehen! O seu Anton. — And Follow Their Faith, págs. 49-51.
Encontrou um ministro adventista, soldado de Hitler
Arnold Seelbach
Certo dia em 1938, o irmão Seelbach, recém-liberto da prisão, caminhava meditando para a estação do trem. Fazendo uma revisão de tudo quanto havia passado, parecia-lhe sonho estar de novo em liberdade.
Quantas vezes fora no campo de concentração posto junto à parede para ser fuzilado! Diariamente a vida estava em perigo.
Uma vez quiseram enterrá-lo vivo, contou ele. Além disso, não fazia muito, havia sido trancado numa cela gelada, tão escura que não podia ver as mãos diante dos olhos. Sobreviveu pela graça de Deus, apenas com uma porção de pão seco e água. Quão grande a alegria quando, no nono dia, o ferrolho foi corrido e a porta aberta. O acontecimento, porém, não durou muito.
Ao sair da cela horrível, que sentimento apoderou-se dele ao ver 300 prisioneiros alinhados e 350 homens da SS, Schutzstafel, guarda de elite dos nazistas, armados, junto ao portão! O comandante, de pé no meio do pátio, chamou-o pelo nome. Puseram-no sobre a mesa de tortura. Amarraram-no fortemente de pés e mãos, e a ordem do comandante teve de ser cumprida. [224]
Dois homens da SS, brandindo chicotes de açoitar cavalo, golpearam-no 15 vezes nas nádegas e nas costas até deixá-lo quase sem vida. Enquanto se contorcia de indescritível dor, eles o lançaram novamente na cela horrível. Sozinho, sem apoio humano, permaneceu ali sobre o pavimento frio de pedra. Nenhuma palavra de conforto lhe foi dita. Os homens da SS lhe entregaram uma corda com o lembrete de que jamais sairia vivo daquela masmorra. Permaneceu na cela escura por 21 dias.
O sofrimento parecia haver acabado. Assim pensava. Estava livre de novo. À distância, contemplava a estação ferroviária. Seria sonho? Beliscava a mão e o rosto para se certificar de que não estava dormindo. Não, não era sonho. Era realidade. Às 2 horas da madrugada chegou a casa. Reunião de família! Que alegria!
Triste é dizer, a alegria não durou. O laço de família mais uma vez foi quebrado. No dia 2 de novembro de 1938, o irmão Seelbach teve de apresentar-se novamente para cumprir exigência governamental contrária à sua convicção. Havia apenas uma coisa a fazer: permanecer leal a Deus, custasse o que custasse.
Em 24 de outubro ele deu adeus a tudo quanto lhe era mais querido.
Ah! quão difícil foi, conforme conta, especialmente quando apertou a mão trêmula do pai e da mãe pela última vez. Viu seus lábios se moverem e, embora não tenha ouvido nenhum som, compreendeu o que desejavam dizer. Uma vez mais acenou à distância para o lar. Quando o veria de novo? pensou.
Obscuro e incerto era o futuro. Após longa jornada, chegou à fronteira de Luxemburgo. À frente estava o rio Sauer. Às 11h30m da noite pôs os pés na água gelada. As rochas eram muito escorregadias.
A corrente era tão forte que sentiu não seria capaz de suster-se. A bagagem que levava ficou encharcada, mas ele sentiu-se feliz em poder alcançar a outra margem. Em seguida, agradeceu ao Pai celestial, que o havia ajudado a cruzar a fronteira para Luxemburgo.
No dia seguinte passou, outra vez ilegalmente, para a fronteira da França. Que sensação de temor lhe sobreveio quando viu um oficial da polícia dirigindo-se para ele. Clamou a Deus por auxílio. E que sucedeu? O policial virou-se e seguiu para outra direção.
Na França o irmão Seelbach experimentou realmente a promessa de Mateus 19:29: "E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ... por amor do Meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna." Sim, ali foi recebido de maneira tão cordial que não conseguia ser grato a Deus o tanto quanto a alma pedia. [225]
O Diabo, porém, não queria que gozasse paz e alegria. Onde quer que se estabelecesse, alguém o delatava. Mas o Senhor o ajudava de tal maneira que, poucas horas antes de a polícia chegar, ele estava num lugar diferente.
Finalmente, foi obrigado a deixar a França e fugir para a Holanda, em maio de 1939, passando por Luxemburgo e Bélgica. Em 29 de dezembro de 1939, todos os refugiados alemães, e também o irmão Seelbach, foram confinados num campo de concentração.
Em 14 de maio de 1940, passaram momentos terríveis quando os alemães se apoderaram desse campo com 350 judeus e 25 desertores. Imediatamente os desertores foram fuzilados. O irmão Seelbach também foi condenado à morte. Mas um milagre aconteceu. O Deus onipotente possibilitou-lhe a fuga.
Depois de escapar do campo de Hoek, na Holanda, em 18 de maio de 1940, ficou escondido em casas de irmãos da fé. Entretanto, o Diabo, não estava contente. Novamente uma traição. Enviaram um bilhete anônimo à polícia. Outra vez Seelbach foi caçado como fera. Assim continuou mês após mês, muitas vezes obrigado a esconder-se por dias e noites em florestas e cavernas sob frio rigoroso.
Quando as tropas inglesas lutavam para libertar a Bélgica em setembro de 1944, a tempestade desencadeou mais violentamente sobre a Holanda. Por toda parte os homens da SS rastreavam a região à procura de vítimas para abater.
A fim de não cair nas mãos desses algozes, no derradeiro minuto, através da linha de fogo, nosso irmão escapou para a Bélgica em 14 de setembro de 1944. Então, contra sua expectativa, foi detido pelos ingleses. Mas o Senhor o confortou com João 13:7: "O que Eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás."
Embora a princípio ficasse triste, depois de todas essas lutas, alegrou-se, pois lhe foi permitido ser testemunha de Cristo. Com freqüência conseguia proclamar a mensagem de Deus para estes últimos dias para 300 ou 400 homens.
Certa vez o auditório chegou a mais de mil pessoas quando falou sobre o tema "Que nos trará o futuro?" Muitos, chorando, levantaram as mãos, prometendo a Deus aceitar a verdade. Três começaram a guardar o Sábado quando nosso irmão ainda se encontrava ali.
No campo de internamento, o irmão Seelbach encontrou também um conhecido ministro da denominação Adventista, que, sendo soldado de Hitler, ali estava como prisioneiro de guerra. Ele cria na vitória final do "Führer", mas então decepcionado, tinha vergonha de si mesmo. [226]
Após 15 meses de internamento, o irmão Seelbach foi convocado para uma audiência. O Diabo insistia em trabalhar contra ele, pois o oficial encarregado, que tinha autoridade para libertá-lo, não queria examinar as evidências de sua inocência. Em vista da situação, a igreja começou a orar fervorosamente em favor desse irmão.
Ele também passou uma noite inteira lutando com Deus em oração. Na manhã seguinte, foi mais uma vez convocado para audiência. Cheio de fé, recorreu ao Pai celestial e suplicou ajuda. Que aconteceu? Sem dizer palavra, libertaram-no. O irmão Seelbach encerrou seu relato exclamando: "Bendito seja por toda a eternidade o nome de Jesus de Nazaré!"
A Gestapo exigiu o endereço de todos os irmãos
Alfred Münch
Certo dia, numa campanha de colportagem, o irmão Hans Fleschutz vendeu o livro Auf Gottes Wegen (Nos Caminhos de Deus) a uma senhora idosa de Hassloch. Quando soube que ele era adventista, perguntou se conhecia o irmão Münch. O colportor respondeu que conhecia a esposa e os filhos dele. Ela então quis saber onde Münch se encontrava. Fleschutz contou que o irmão Münch houvera sido mártir por sua fé num campo de concentração.
Ao ouvir isso, lágrimas surgiram-lhe nos olhos. Trinta anos antes o irmão Münch ministrara uma série de estudos bíblicos àquela senhora. Enquanto o irmão Fleschutz descia a rua, continuou pensando no irmão Münch, que muitos anos antes trabalhara naquela mesma rua, visitando casa após casa, e agradeceu a Deus porque tinha dado a esse querido irmão força para perseverar até a morte.
Transcrevemos a seguir uma carta da irmã Münch, de 4 de outubro de 1964, relatando o que ela e o marido sofreram sob o regime totalitário:
Meus prezados irmãos e irmãs no Senhor!
Paz seja com todos!
Passo a relatar minha experiência aos amados crentes que travaram o combate de boa consciência, na Alemanha, durante o regime de Hitler. Em primeiro lugar, dou honras e louvores a Deus, que tão maravilhosamente nos sustentou em todos os dias dessa ardente provação.
Certamente, os irmãos ouviram muitas experiências sobre nossos irmãos encarcerados durante as duas guerras mundiais, mas desejo agora falar das experiências pelas quais nós, irmãs, tivemos de passar. Era comum, no passado, pensar que, sendo [227] mulheres, não iríamos tão facilmente para a prisão. Eis porque o golpe nos foi duplamente severo. Tornou-se mais severo ainda quando, em momento crítico, irmãos apostataram e, ao renunciarem a fé, tornaram nossa carga bem mais pesada.
Em nossa vila havia uma mulher interessada na verdade, que nos visitava com freqüência, cujo marido era membro da SA (Sturmabteilung ). Ele ficou tão furioso com essa visitação que denunciou o caso ao partido. Meu marido logo foi preso e levado embora, enquanto meus filhos, que tinham então dez e cinco anos, ficaram chorando de maneira tão sentida que quase partiu o meu coração. Durante quase duas semanas mal pudemos comer. A Gestapo mandou que eu fornecesse os endereços de todos os irmãos.
Como eu me recusasse a colaborar, deixaram-me este recado:
"Ficaremos com seu marido até que nos forneça os endereços."
Isso aconteceu em novembro de 1936. Em 19 de abril de 1937, fomos julgados no tribunal especial em Mannheim. Éramos 15. Todos fomos condenados. O líder de nossa igreja e meu marido receberam a pena mais longa: sete meses. ...
Nosso castigo foi a cela solitária. A guarda do Sábado e o alimento servido na prisão causaram nova luta. Não tendo trabalhado nove Sábados durante os dois meses que ali passou, meu marido ficou 26 dias em confinamento. Recebeu apenas pão e água e foi deixado numa cela mais escura com apenas um banco de madeira para dormir.
Para as irmãs, eles abrandaram as circunstâncias. Por eu não trabalhar no Sábado, recebi dois dias de confinamento numa cela mais escura. Tiraram de mim o avental, sapatos, grampo de cabelo, etc. Queriam, assim, evitar possíveis tentativas de suicídio. Isso foi no Sábado e no domingo.
Agora, meus queridos irmãos e irmãs, como pensam que eu me sentia? Maravilhosamente bem! A gente se acostuma a tudo. Como não fosse permitido cantar em voz alta, eu cantava baixinho: "Tenho paz em meu coração, e isso me faz feliz", e outro cântico: "Rompendo laços com todas as coisas terrenas e enchendo-me das coisas eternas, encontro aqui a bendita paz que satisfaz o anseio da alma."
As lutas por que passei, apesar de cruéis e severas, foram maravilhosas. Era difícil resistir o poder das autoridades. Porém, por nada eu perderia essas experiências. Quando fui presa pela primeira vez, a supervisora xingou-me terrivelmente ao descobrir que eu pertencia aos adventistas. Disse-me que no Sábado havia trabalho a fazer, e que eu tinha de obedecer ou nunca mais voltaria para casa. Fiquei tão deprimida que palidez mortal tomou conta de mim. Fui dominada pelas lágrimas. Então [228] ela disse: "Mais duas de vocês estão aqui, e são as melhores pessoas da prisão". Então o Sol voltou a brilhar e meu coração se alegrou.
Permaneci decidida, dizendo calmamente para mim: Eu também pertenço a esses crentes. Ela não me verá desistir do Sábado.
Semanas depois, diante da minha firmeza, a supervisora disse:
— Vocês são verdadeiros comunistas!
Respondi:
— Senhorita Böhler, desde quando os comunistas crêem em Deus?
Saiu sem responder. Desde então, nem ela nem mais ninguém me perturbou. Só aos Sábados vinha para me tirar da cela. Terminando a minha pena, embora em circunstâncias difíceis, sob vigilância policial, meu marido e eu pudemos estar juntos outra vez.
A luta recomeçou quando, no início de 1939, ele recebeu convocação para o serviço militar. Embora tenha recebido seis ordens para comparecer, ele as ignorou. Em março de 1940 foi preso novamente. A alegação foi: não respondia à saudação nazista. Depois de passar dois meses na prisão aguardando julgamento, foi levado ao campo de concentração de Dachau. Suportou tudo heroicamente.
Às vezes escrevia para mim, e eu podia ler nas entrelinhas qual era o seu estado. Se escrevia, por exemplo, "espero que passe logo a severidade do inverno", eu sabia o que essas palavras queriam dizer.
De Dachau ele foi transferido para o campo de concentração de Neuengamme, perto de Hamburgo. Dali escreveu cartas cheias de alegria no Senhor, pois sempre esperava reencontrar seus entes queridos.
Em toda carta a principal preocupação era com os filhos. Recebi a última correspondência dele no fim de fevereiro de 1945, pouco antes de os norte-americanos marcharem contra Mannheim. Nossa esperança e a dele, de estarmos juntos, acabou quando não vieram as notícias que esperávamos.
Nunca recebi informe oficial. Em 1948 fiquei sabendo, por meio de um homem que supostamente estivera com ele até o fim, que morrera de inanição. A eternidade revelará.
Que o Senhor me dê forças para suportar até o fim e então experimentar a bendita promessa de 1 Tessalonicenses 4:16-18. ...
Saúdo a todos cordialmente como co-peregrina em demanda de Sião. Irmã A. Münch, Mannheim. —And Follow Their Faith, págs. 34-36.
A irmã Münch, que dormiu no Senhor em novembro de 1965, escreveu em sua última carta: "Deponho tudo nas mãos do grande Médico. O caminho no qual Ele nos conduz é bom. Agradeço a Ele somente, pois me tem conduzido maravilhosamente e tem cuidado de mim. Estou certa de que Ele continuará a fazer isso até o fim de [229] minha vida. Que Deus vos abençoe! Esse é o desejo de vossa sempre agradecida irmã Muench, que vos ama." (Adaptado do livro And Follow Their Faith, pág. 37).
Rapaz de 16 anos recusa-se a portar armas
Leander Zrenner
Do Noticiário Vespertino de Munique, de 25 de abril de 1955:
"Dezesseis anos atrás o pai de Zrenner foi executado como objetor de consciência. O filho também jamais pegará em arma de fogo!
" ‘Causa da morte: Execução’. É o que está escrito no atestado de óbito do pai, que o objetor de consciência de 19 anos de idade, Werner Zrenner, recebeu. No verão de 1941, um tribunal militar condenou o pai à morte por sua recusa em prestar serviço militar. Em 9 de agosto, o assistente e soldado Leander Zrenner caiu diante de uma rajada de balas em Brandenburg/Havel. O homem, profundamente religioso, pagou com a vida sua convicção contrária ao serviço militar. Adventista devoto, declarou que nunca apontaria armas contra alguém.
"Ontem, 24 de abril de 1955, dezesseis anos depois, o filho de Zrenner compareceu à Comissão Examinadora dos Objetores de Consciência no Departamento de Serviço Seletivo, Munique 1. A exemplo do pai, ele também se recusou a portar armas. Jamais será obrigado a fazer isso. A Comissão o declarou objetor de consciência. ‘A vida humana é intocável; portanto não posso conscientemente matar pessoas inocentes’, declarou Werner Zrenner diante dos membros da Comissão Examinadora. ‘É provável que eu tenha de suportar as conseqüências que meu pai sofreu 16 anos antes.’
"Além da mãe, três pessoas testemunharam em favor do jovem. Declararam com unanimidade que Zrenner, antes de entrar em vigor o alistamento geral, se expressara contra o porte de armas. O presidente da Comissão Examinadora, advogado Friedl Fertig, disse ontem: ‘A morte violenta do pai foi a razão das conclusões do rapaz acerca dos prós e contras do dever militar.’ Os membros da Comissão reconheceram a opinião de Zrenner baseada em suas convicções de consciência." — And Follow Their Faith, págs. 37 e 38.
Como a liberdade religiosa, o mais importante de todos os direitos humanos, foi instituída na Alemanha Ocidental após o fim da Segunda Guerra Mundial, Werner não teve a mesma condenação do pai.
Viúva morre após torturas em Auschwitz
Maria Maritschnig
Viúva de um alfaiate. Morto o marido, a oficina passou a ser administrada pelo irmão Ranacher. No lar da irmã Maritschnig, esse [230] irmão conheceu a verdade pregada pela Reforma, a qual aceitou de todo o coração. Sob instigação dos parentes dele, as autoridades acusaram a irmã Maritschnig de o ter induzido a aceitar a fé. Ela foi levada ao tribunal. Durante o julgamento, foi tratada com tanta aspereza que desmaiou e teve de ser carregada para fora da sala. Certos de que ela tivesse sido levada para o hospital, os crentes foram para lá. Equivocaram-se. Chegou a notícia de que havia sido transferida para Munique. Depois de torturas cruéis, foi levada para o infame campo de concentração de Auschwitz, onde faleceu. (Adaptado do livro And Follow Their Faith, págs. 38 e 39).
Muitos outros mártires
Dr. Alfred Zeyhs
Esse irmão foi lançado na prisão e, espancado, teve graves hematomas. Recusou-se a violar a Lei de Deus. Por permanecer inflexível em sua posição, foi transferido para o campo de concentração de Sachsenhausen, onde depôs a vida em 1940. A esposa e três filhos sobreviveram. (Adaptado do livro And Follow Their Faith, pág. 33, e de um artigo publicado na revista Der Adventruf, dezembro de 1946).
Willi Thaumann
O irmão Thaumann conheceu a verdade através da colportagem. Tinha uma loja de ferragens. Caráter puro e sincero, vivia à altura da verdade, sem fazer concessões. Vendo que era seu dever confessar a fé publicamente, apesar das bem-intencionadas advertências de um amigo policial, continuou fechando o comércio aos Sábados. Na porta da loja, havia uma tabuleta com o mandamento do Sábado. Por sua fidelidade ao quarto e sexto mandamentos, foi levado ao campo de concentração de Oranienburg, onde foi martirizado em 1941. (Adaptado do livro And Follow Their Faith, pág. 33).
Três irmãs russas
Entre os operários que foram levados à força da Rússia para a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, havia três jovens russas que se demonstraram heroínas da fé ao serem provadas com respeito ao quarto mandamento. "Faremos em cinco dias o trabalho que nos foi incumbido", disseram ao oficial do campo. Realmente fizeram mais que isso. Ninguém era tão elogiado pela diligência no trabalho como aquele pequeno grupo de crentes. Satanás, porém, não estava satisfeito. Naqueles dias o lema era: "Trabalhar! Trabalhar! Trabalhar! Na guerra, temos de vencer." [231]
Os trabalhadores gritavam cheios de inveja: "Se essa gente pode ter dois dias livres, nós também exigimos os mesmos privilégios." Eles se referiam ao Sábado e domingo.
Grave crise pessoal era iminente para aquelas irmãs.
O capataz tentou apaziguar os ânimos, dizendo que elas realizavam trabalho melhor, completando as tarefas de seis dias em cinco.
— Nós também podemos fazer isso, gritaram.
Então o capataz dirigiu-se ao pequeno grupo de crentes:
— Estão vendo? Não posso fazer nada. Vocês terão de trabalhar aos Sábados também. Caso contrário, fuzilamento! Estamos em guerra, e atitude como a de vocês, é considerada sabotagem contra a nação.
Nuvens de ansiedade pairaram sobre aquelas irmãs fiéis. No Sábado seguinte o capataz ficou furioso ao surpreendê-las num estudo bíblico. Disse-lhes:
— Vocês sabem quanto as aprecio. Se dependesse de mim, seriam dispensadas no Sábado. Estimo o bom trabalho que fazem, mas vejam o tumulto entre os trabalhadores. Além disso, a impressão é de que eu protejo os judeus. Peço-lhes o favor de trabalhar.
A resposta foi:
— Não podemos pôr os mandamentos de Deus abaixo dos preceitos dos homens. Se nosso Salvador quer que morramos, estamos prontas. Ele morreu primeiro por nós.
Como não cedessem, foram castigadas. Depois tornaram a perguntar se ainda continuavam com a mesma opinião. Recusando-se a mudar de conduta, declararam firmemente que preferiam morrer a ser separadas de Cristo. Seguiu-se uma cena da Idade das Trevas: foram açoitadas impiedosamente nas costas nuas até sangrar. Quando voltaram para a cela, uma lavou as feridas da outra e louvaram a Deus que as julgou dignas de sofrerem pelo nome de Jesus.
Depois de outra semana de trabalho, nova provação, maior que a anterior. O capataz encontrou-as novamente lendo a Bíblia, conforme seu costume.
— Hoje é a última oportunidade para vocês. Não acreditam que serão fuziladas?
— Sim, sabemos. É o que prevemos. Porém, nada temos a perder deixando este mundo. Além disso, nossa consciência diz que não merecemos ser maltratadas.
As três foram alinhadas diante da metralhadora. O major começou a contagem regressiva. Vendo que as irmãs continuavam inflexíveis, sem vacilação, o major fez alto e disse: "Deixem que guardem o Sábado. Jamais vi coisa semelhante."[232]
Depois disso, sempre que aquele homem tinha oportunidade, e não era vigiado, vinha ao culto sabático e ficava alguns instantes com as irmãs crentes. Além disso, com freqüência lhes trazia alimento extra. Elas disseram que não tinham sentimento de ódio nem vingança contra aquele homem. Ao contrário, chamaram-lhe a atenção para o amor de Deus e Suas obras maravilhosas, o plano da salvação, e a tríplice mensagem de Apocalipse 14. Só Deus sabe o que aconteceu a ele depois disso.
Muitos outros
Além desses mártires, houve muitos outros, durante a Segunda Guerra Mundial, que sofreram injustiça, perseguição e morte. Ernst Körner foi torturado até a morte no campo de concentração de Sachsenhausen em 1944. Robert Freier foi martirizado num campo de concentração em 1940. Certo irmão Hermann foi declarado morto na prisão de Breslau (1941?). Josef Blasi foi torturado até a morte no campo de concentração de Mauthausen em 1943. O irmão Ranacher foi sentenciado à morte por um tribunal militar durante a guerra. Esses também pertencem à longa lista dos heróis da fé.
Uma reportagem publicada no Völkischer Beobachter (Observador Popular), Áustria, deu informações adicionais sobre a perseguição cruel a que nossos irmãos foram submetidos. Diz o informe:
"Distrito de Kaernten,
"Klagenfurt, 20 de agosto de 1943
"Dez Anos Para Refletir na Penitenciária
"Adventistas no Serviço dos Oponentes
"Relatos Pessoais do Observador Popular
"Foram acusados perante no tribunal especial de Klagenfurt [Josef] Blasi, de 48 anos, e Maria Krall, de 48, ambos de St. Donat. Matthias Weratschik, de 37 anos, e a esposa Maria, de 28 anos, de Tiemenitz. Sob a influência da loucura adventista, os quatro recusaram-se a portar armas, citando textos da Bíblia na tentativa de levar à resistência compatriotas alistados. ... Esses queriam deixar a defesa da pátria ao cuidado do Senhor Deus. Para evitar piores calamidades, tais elementos transviados devem ao menos, durante a guerra, ser mantidos onde não possam causar dano. O tribunal especial os declarou culpados. Josef Blasi foi sentenciado a dez anos de prisão. Os outros três foram condenados apenas pelo crime de terem incorrido no parágrafo terceiro da Lei de Proteção das Defesas do Povo Alemão, porque se opuseram à lei mediante atitude [233] e antimilitarista. Assim, Maria Krall foi condenada a cinco anos. Matthias e Maria Weratschik foram condenados a dois anos na penitenciária." (Citado do livro And Follow Their Faith, pág. 52). -- Copiado do livro A História dos Adventistas do Sétimo Dia — Movimento de Reforma, págs. 220-233.
IASD: 100% a Favor de Hitler!
ESTRATAGEMA
Com uma luz tão gloriosa derramada em seu caminho, o Movimento da Reforma, que permaneceu firme aos antigos princípios estabelecidos, abriu caminho não apenas na Europa mas também em outras regiões. Como aumentou em membresia e influência, a liderança da grande Igreja Adventista do Sétimo Dia reuniu-se em Gland, Suíça, em 2 de janeiro de 1923, para debater sobre o problema da guerra e também para encontrar alguns meios para impedir o rápido crescimento do Movimento da Reforma. Como não encontraram meios de corrigir o problema que levou o surgimento do Movimento da Reforma, os líderes adventistas valeram-se de um estratagema. Em uma aparente confissão, condescenderam em dizer: “Na paz e na guerra, rejeitamos participar em atos de violência e derramamento de sangue.”
A EXPRESSÃO DE FALSA LIBERDADE
Se tivessem deixado o assunto neste ponto, como uma declaração positiva, teria havido esperança de resolver o cisma na organização. Porém a atitude anterior persistia sob outra formulação: “Mas concedemos a cada um dos membros absoluta liberdade para servir ao seu país, em todos os momentos e em todos os lugares, segundo os ditames da consciência de cada um.” – Gland, Suíça, 2 de janeiro de 1923 (ênfase nossa).
Isto, na nossa opinião, é o mesmo que dizer, não acreditamos na guerra, mas faça o que a sua consciência lhe disser! Novamente, são introduzidos os enganos traiçoeiros de uma liberdade de consciência que viola o dever e a obediência à lei de Deus. Esse estratagema trouxe ainda mais confusão, além de qualquer imaginação. Além disso, foi, para dizer o mínimo, uma admissão de que eles erraram quando enviaram os nossos irmãos para a guerra em 1914. Mas agora, em vez de confessarem este terrível engano àqueles que sofreram as conseqüências até mesmo ao ponto de serem excluídos da igreja, concordaram em um conselho particular sobre este nova posição enganosa. Esta declaração levou todas as marcas de uma falsa confissão provocada por causa dos resultados da apostasia deles. Os reformistas foram então forçados a rejeitar esta nova posição desde que ela não restaurava a posição fiel e legítima deles nem trazia o padrão bíblico.
NENHUMA MUDANÇA REALIZADA
Além de tudo isto, a nova posição não se realizou por meio de nenhum governo ou declaração como uma emenda às declarações anteriores, como é evidentemente revelada em uma resposta recebida em inquérito. Citamos o breve excerto a seguir de uma carta datada de 30 de dezembro de 1927, do Ministério das Forças Armadas em Berlim, Alemanha, endereçada ao Quartel-General da Escandinávia do Movimento da Reforma em Copenhaque, Dinamarca:
“Incluídos nos arquivos do Ministério das Forças Armadas está o manuscrito de 6 de agosto (não 4) de 1914, assinado por H. F. Schuberth. ... “Mudanças ou emendas ao manuscrito de 6 de agosto de 1914, não foram aceitas.” (ênfase nossa). Ser-lhe-á mais claro o que isto significa depois.
Os jovens adventistas foram ainda convocados como soldados na ativa prontos para o combate; e o documento Gland que informava que rejeitavam “participar em atos de violência e derramamento de sangue”, realmente não foi digno de crédito. Os nossos temores a este respeito foram justificadas como mostraremos a seguir.
PROVA NO. 2: DESENVOLVIMENTOS
Enquanto os países europeus estavam ainda resolvendo o encontro sangrento de 1914-1918, e ainda estavam sendo pressionados pelas indenizações exigidas pelo Tratado de Versalhes às vítimas, um político estava surgindo e levando vantagem da situação humilhante com o objetivo de atrair as nações para um outro conflito fatal. O “Furher”, Adolfo Hitler, sob falsa pretensão e com um zelo nacional fanático, criou uma fantástica máquina militar com poder extraordinariamente fatal. Suas primeiras manobras arrojadas obtiveram sucesso reunindo a nação alemã ao seu redor em uma unidade satânica e cada vez mais as nações aliadas amargaram um cerco terrível. Neste entusiasmo selvagem, a religião foi esquecida e foi substituída pela idolatria nacionalista. “Heil Hitler!” tornou-se a saudação comum (De fato, “Salvação em Hitler”).
PROSCRIÇÃO E ESQUECIMENTO
Este Movimento da Reforma foi logo colocado em risco. Nossa posição positiva contra a violência e o derramento de sangue, além da observância do dia de descanso idêntico ao dia de descanso dos judeus, que foram adversários declarados de Hitler, naturalmente sofreu provações e perseguições. Não demorou muito até que os fatos começassem a ocorrer. O Movimento da Reforma foi declarado como inimigo do Estado e publicamente proscrito pelo edito de 28 de fevereiro de 1933, No. 1; e em 29 de abril de 1936, foi oficialmente proscrito e toda propriedade confiscada. Voltaremos ao assunto depois.
100% A FAVOR DE HITLER


O Adventobe (O Mensageiro Adventista), órgão oficial da Igreja Adventista Alemã, de 1 de janeiro de 1937, mostrava os estudantes do ministério Adventista em Friedensau alinhados em uniformes nazistas em frente ao seminário enquanto oficiais do governo os inspecionavam. Foi declarado: “Friedensau pertence àquelas comunidades que têm votado 100 % favorável ao Fuhrer.” Um ex-presidente da Conferência Geral (o pastor C.H.Watson – 1931) até mesmo respondeu uma pergunta ao dizer: “Podemos louvar a Deus por temos o governo atual. Hitler recebeu o seu poder de Deus.”
Temos toda uma série de declarações das publicações oficiais dos Adventistas do Sétimo Dia que revelam que os líderes da Igreja Adventista elogiaram Hitler como uma dádiva dos céus. Embora estes líderes estivessem um tanto sob pressão no princípio, uma enfermeira adventista (Hulda Jost), que conhecia Hitler pessoalmente, intercedeu por eles.
Como conseqüência, as igrejas permaneceram abertas em uma base de acordo; mas isto foi raramente mantido. A Igreja Adventista uniu-se pela Segunda vez com “os reis da terra”em total apostasia, lutando e morrendo a favor de Hitler e seus guerreiros.
Declarações em documentos adventistas, tais como esta a seguir, demonstram a triste tendência: “Estamos agora no meio de um tumulto de eventos de mudanças de amplidão mundial. Uma grande época deve encontrar um grande homem ... Portanto, não somente nos submetemos de boa vontade mas também com muito prazer realizaremos cada trabalho requerido. Para aqueles que perderam suas vidas nesta realização podemos citar as palavras de Jesus: ‘Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.’ (João 15: 13). Lembremo-nos de todos os homens que lutam e especialmente nossos irmãos, que estão preparados para arriscar as suas próprias vidas pela terra natal e por aqueles que são deixados para trás. Vamos também orar a favor do Fuher e seus associados.” – Adventobe, 1 de outubro de 1939.
O Espírito de Profecia previu que a liderança manifestaria os sentimentos acima:
“Há uma perspectiva diante de nós de um conflito continuado, risco de encarceramento, perda de propriedade, e até mesmo da própria vida, para defender a lei de Deus, que é anulada pelas leis dos homens. Nesta situação de política mundial exige-se uma condescendência exterior com as leis da terra, a favor da causa da paz e da harmonia, e há alguns que até mesmo citam o conselho da Escritura: 'Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas.'” – Testimonies, vol. 5,p.712.
Isto foi o que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto a irmã White previra o que aconteceria depois: “um pouco tempo de paz”:
“Uma vez mais os habitantes da terra foram apresentados diante de mim; e novamente tudo estava na mais extrema confusão. Lutas, guerra, e matança, com fome e pestilência, assolação em toda parte.” – Testimonies, Vol. 1, p. 268.
A ESCOLHA DO POVO DE DEUS
Lembremos a clara declaração em Testimonies, Vol. 9, p. 17, que declara:
“Provas e provações assustadoras aguardam o povo de Deus. O espírito da guerra está agitando as nações de uma parte a outra da terra. Contudo no meio da hora da tribulação que vem - um tempo de tribulação como nunca houve desde que há nação – o povo escolhido de Deu suportará a prova.” (ênfase nossa).
O fato que permanece é este: nas duas provas e tribulações rigorosas a nominal Igreja Adventista do Sétimo Dia falhou completamente. Apostataram. Contudo, desde que foi dito: “ O povo escolhido de Deus suportará a prova,” é óbvio que haveria um remanescente que “SUPORTARÁ A PROVA”. São chamados “O povo escolhido de Deus”, indicando que Deus os tem escolhido, o Remanescente escolhidos da grande apostasia, para serem seu povo. A esta escolha o profeta Oséias apontou ao dizer: “... tratarei com amor aquela que chamei Não amada. Direi àquele chamado Não-meu-povo: Você é meu povo; e ele dirá: ‘Tu és o meu Deus’” Oséias 2:23.
PERMANECERÃO IRREMOVÍVEIS
Voltemos agora mais uma vez para o grupo minoritário de membros fiéis, proscritos e esquecidos pelo decreto nacional. Qual o preço que pagaram? Entraram para a história manchados pelo sangue dos mártires que enfrentaram a prisão, tortura e até mesmo a morte, em vez de desonrarem o seu Deus e a sua santa lei. Sim, muitos foram lançados em prisão e um grande número selaram suas convicções com o seu próprio sangue. Escreva-nos para receber o livro And Follow Their Faifh! (E Seguiram a Sua Fé!) descrevendo suas experiências. Provaram-se “fiéis até a morte”, e há uma coroa da vitória esperando por eles. Louvemos ao Senhor por estes firmes defensores da verdade neste Movimento da Reforma. Na verdade, foram verdadeiros na sua fé. Estes são exemplos dignos para seguirmos no último teste da lei dominical, que surge agora diante do povo de Deus. Provar-nos-emos fiéis, querido estudante? Que Deus nos conceda esta bênção!
A CORREÇÃO DE UMA FALSA EXPECTATIVA
Um enorme problema permanece sem resposta. Você pode perguntar: “Você intenciona abalar a nossa confiança nos irmãos líderes do adventismo com estas lições?
Você pode relembrar que na Lição 4 enumeramos muitos apelos a favor de uma reforma. Portanto uma reforma era obviamente adequada. Mas ela começaria com a liderança, a qual estamos propensos a observar? Ouça o conselho divino:
“O Senhor freqüentemente opera onde menos pensamos; Ele nos surpreende pela revelação do Seu poder por meio de instrumentos de sua própria escolha, enquanto Ele passa pelos homens a quem temos considerado como aqueles por meio de quem a luz viria. Deus anela que recebamos a verdade através dos seus próprios méritos. – porque ela é a verdade ...
“Aqueles que não têm o hábito de pesquisarem as Escrituras por si mesmos, ou de verificarem as evidências, têm confiado na liderança dos homens, e aceitam as decisões promulgadas por eles; e assim muitos rejeitarão as verdadeiras mensagens enviadas por Deus ao seu povo, se esta liderança não as aceitarem. “ - Testimonies to Ministers, pp. 106, 107.
Isto está em perfeita harmonia com a forte expressão anterior usada por Jeremias em Jer. 17:5: “Assim diz o SENHOR: Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do SENHOR.”
“Aqueles aos quais é pregada a mensagem da verdade, raras vezes perguntam se ela é verdadeira, mas sim: ‘Por quem é ela defendida?’ Multidões a avaliam pelo número dos que a aceitam; e faz-se ainda a pergunta: ‘Creu qualquer dos homens eruditos ou dos guias religiosos?’ Os homens não são hoje em dia mais favoráveis à verdadeira piedade , do que nos dias de Cristo.” – O Desejado de Todas as Nações, pág. 459.
Não, não desejamos enfraquecer a sua confiança na verdadeira liderança. Foi o grande Presidente Abraão Lincoln que disse: “Não sou um homem obrigado a vencer, mas sou obrigado a ser verdadeiro. Não sou obrigado a ser bem sucedido, mas sou obrigado a viver de acordo com a luz que possuo. Devo permanecer com alguém que é correto, e permanecer com ele enquanto estiver correto, e separar dele quando se desviar.” Possa estas palavras serem também a filosofia de nossa vida.
CONSEQÜÊNCIAS DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA
“Respeitamos a Lei de Deus contida no decálogo como explicada nos ensinos de Cristo e exemplificada pela sua vida. Por esta razão observamos o dia de descanso do sétimo dia (Sábado) como tempo sagrado; nos abstemos do trabalho secular neste dia, mas empenhamo-nos alegremente em obras de necessidade e piedade a favor da assistência aos que sofrem e a elevação moral da humanidade; na paz e na guerra rejeitamos participar em atos de violência. Concedemos a cada membro de nossa igreja absoluta liberdade para servir ao seu país, todas as vezes e em todos os lugares, segundo os ditames da consciência de cada um.” - Gland, Suíça, 2 de janeiro de 1923.
ROMÊNIA 1924
“O serviço militar e a participação na guerra não estão fazendo uma aliança com o mundo, nem defendendo a Babilônia. A participação na guerra é simplesmente um dever; com respeito à guerra os nossos jovens também cumprirão o dever deles no dia de descanso.” - Prophecy, por P.P.Paulini, p.39.
YUGUSLÁVIA 1925
“O ensino da Escritura que diz: ‘Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’ corresponde aos adventistas em todo sentido. Atendem conscienciosamente ao tempo do serviço militar que é requerido deles, com armas nas mãos, na paz assim como na guerra; e um número significante de adventistas foram provados na Guerra Mundial por meio de sua coragem, e muitos trazem no peito uma medalha do mais alto reconhecimento em razão da sua bravura.” – Adventizam, p.53.
RÚSSIA 1924 e 1928
“Estamos convencidos que Deus por meio da sua providência, guiou o coração de nosso inesquecível W.J.Lenin, e deu-lhe e também aos seus companehiros sabedoria para trazer as únicas e oportunas declarações para o mundo hoje. Por esta razão os Adventistas do Sétimo Dia querem ser os melhores cidadãos na crença na República Socialista Federal. A doutrina dos Adventistas do Sétimo Dia permite aos seus membros a liberdade de consciência com respeito ao dever militar, e não tenta ditar-lhes como eles devem agir , considerando que cada pessoa deve ser responsável por si mesmo com respeito ao problema militar, de acordo com a sua própria consciência.” - Presidente H.J.Loebsack, Comitê da Conferência.
“O sexto congresso dos Adventistas do Sétimo Dia, em 1928, declara e decide que os Adventistas do Sétimo Dia são obrigados a dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, a saber, servir o estado pelo exército em todas as formas de serviço, de acordo com a lei estabelecida para todos os cidadãos.” – Resolução tomada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia da Rússia, Moscou, 19 de maio de 1928.
AQUI ESTÃO ALGUNS EXCERTOS DO LIVRO:
Página 18: “Nosso irmão ancião em Cristo, Otto Welp, que na Primeira Guerra Mundial sofreu quatro anos de perseguição pela sua fé, foi um dos primeiros líderes a dar um claro testemunho que não poderia participar na política, no serviço militar de forma direta ou indireta, devido ao ensino de Cristo vedando isto e os crentes foram instruídos a permanecerem afastados. Por toda parte, especialmente os irmãos dirigentes do Movimento da Reforma deram o mesmo testemunho tanto por meio da palavra quanto da escrita. Consequentemente, já em 29 de abril de 1936, o Movimento da Reforma do Sétimo Dia foi proscrito. Reproduzimos a carta do Ancião ( do Comando da Polícia para a Política), que lemos como segue: ...”
Página 27: “Em 1941, Guenter Pietz, que já mencionamos anteriormente, foi levado para o Campo de Auschiwitz devido à sua recusa de trabalhar no dia de descanso. Após seis semanas foi solto por um breve tempo. Seus pais, irmãos e irmãs não o reconheceram; todos gritaram quando viram o jovem magro. Por quase um ano pode alegrar-se na liberdade, contudo foi alistado para o serviço de mão-de-obra, onde permaneceu durante três semanas. Durante este tempo, visitou os crentes, fortalecendo-se, e regozijava-se com eles na verdade. Então recebeu a convocação para o serviço militar e foi levado para Halle, onde encontrou o irmão Pacha, seu bom amigo e companheiro cristão. Ambos começaram a combater e recusar o serviço militar. No comando de Himmler, os dois foram fuzilados no mesmo dia por causa da resistência fiel deles. Ambos foram bons amigos na vida e na morte, e ambos permaneceram firmes na confissão de fé.”
Página 53: “Os campos de concentração foram um mundo sem Deus – ainda mais, um mundo contrário a Deus. Nenhum tipo de atividade religiosa por parte dos residentes foi permitida; todo artigo religioso foi proibido; até mesmo toda oração murmurada foi proibida. Nem mesmo aos que agonizavam foi concedido este alívio. Todos os assuntos religiosos eram zombados e escarnecidos.
“Com respeito aos internos, a SS (Schutzstaffel) não sentia nenhuma restrição a nenhum dos mandamentos de Deus, nem mesmo o código natural de ética que Deus pôs no coração de todo ser humano, até mesmo nos corações dos pagãos.” -- Estudo da Reforma, Curso por Correspondência, Lição 14, "Uma Falsa Confissão". Tradução: Benedito Tenório.
Líderes da IASD Estimularam a Transgressão do Sábado e a Submissão ao Estado Nazista
Em circular datada de 3 de junho de 1936, por exemplo, E. Gugel, presidente de uma associação, enviou aos membros da igreja as seguintes instruções:
"Para ser lido em voz alta em todas as igrejas no Sábado 6 de junho:
"Prezados irmãos e irmãs em Cristo, em 18 de maio de 1936, as autoridades do Governo expediram decreto do qual apresentamos um trecho:
" ‘O Ministro da Ciência, Educação e Instrução Nacional julga não ser mais possível manter a posição especial concedida até agora às crianças adventistas em relação ao Sábado. Em conformidade com isso, todos os regulamentos de exceção à freqüência escolar de menores adventistas aos Sábados, foram abolidos.’ (Isso se refere tanto aos regulamentos de fevereiro de 1934 como aos anteriores).
"Em resposta à pergunta dirigida ao Departamento do Interior, bem como ao Departamento de Cultos Públicos, referente a fazermos nova petição, disseram-me que essa decisão era irrevogável. Devemos deixar que a Providência Divina decida se haverá num futuro próximo a possibilidade de fazermos outra petição. Faremos o possível. Considerando que, por agora, não vemos possibilidade de o regulamento ser abrandado, precisamos definir nossa atitude. Na América do Norte e na Inglaterra não há aulas em nenhuma escola aos Sábados. Portanto, essa dificuldade não existe ali. Até 1919 e 1921, respectivamente, não tivemos problemas quanto à obrigatoriedade de comparecimento às aulas no Sábado. Individualmente, irmãos nossos foram bem-sucedidos aqui e ali em obter dispensa. Alguns conseguiram isso enviando seus filhos para escolas particulares. Os mais pobres não puderam fazê-lo. Contudo, no futuro, mesmo as escolas particulares não poderão fazer exceção. Apesar disso, por 15 anos desfrutamos o privilégio que nossos irmãos e irmãs em muitos países da Europa não possuíam. Lamentavelmente, alguns entre nós não o apreciaram devidamente. Na Suíça livre as autoridades são inflexíveis nessa questão. Ainda que os pais paguem pesadas multas e de vez em quando sejam lançados na prisão, nada [212] obtiveram e finalmente cederam. Na Áustria, Hungria, Checoslováquia, Bulgária, etc. ... nossos irmãos e irmãs são adventistas tão bons quanto nós aqui (Deus queira!).
"Depois de termos feito tudo, realmente não creio que o Senhor considere o comparecimento de nossas crianças à escola no Sábado transgressão do quarto mandamento. Se fosse esse o caso, então teríamos de condenar todos os nossos irmãos e irmãs fora da Alemanha que, sob as leis de seu país, foram obrigados a submeter-se, o que é lamentável. Isso não devemos nem podemos fazer . ...
"Deveis entender que eu sinto pesada responsabilidade perante Deus e perante a denominação com respeito a essa difícil questão. Enviei, portanto, uma circular a todos os nossos presidentes pedindo opinião sobre o assunto, para que possam assumir essa responsabilidade comigo. A maioria respondeu que não seria sábio trazer dificuldades desnecessárias sobre a Obra tomando atitudes precipitadas por causa desse regulamento restritivo. Portanto, devemos submeter-nos à nova posição. ..."
Essa circular mostra como a fé do povo adventista foi também provada com relação ao comparecimento às escolas e à observância do Sábado. Achamos que, sob a prova, a liderança da Igreja Adventista na Alemanha deveria ter animado os crentes a cumprir os reclamos de Deus em vez de sucumbir às exigências antibíblicas do Estado. -- Copiado do livro A História dos Adventistas do Sétimo Dia — Movimento de Reforma, págs. 211-212.
Fonte: http://ims.truepath.com/reform/refles14.html




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