Cardeal Bertone diz que encíclica com críticas ao nazismo só foi possível graças ao acordo criticado
Ansa
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VATICANO - O secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, defendeu nesta quinta-feira, 26, a atuação do papa Pio XI frente ao nazismo, durante uma convenção internacional intitulada "A solicitude eclesiástica de Pio XI à luz das fontes arquivistas".
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Segundo Bertone, ao escrever a encíclica Mit Brennender Sorge em 1937, que denunciava a perseguição dos católicos alemães pelo regime nazista e condenava o culto do Estado e da raça como algo incompatível com a fé cristã, Pio XI foi o autor do "mais firme e preciso indiciamento" contra o nazismo.
A criação da encíclica só foi possível graças a um acordo entre a Igreja Católica e o governo de Adolf Hitler em 1933, que garantia certas atividades da Igreja Católica na Alemanha, a fim de diminuir a perseguição nazista aos fiéis.
O cardeal esclareceu que esta concordata foi "o mais contestado" documento firmado por Pio XI, mas que por meio dela "era oferecido à Santa Sé a justificativa legal e moral que tornou possível a encíclica Mit Brennender Sorge, que, segundo Bertone, acusava o nazismo de "perverter e falsificar a ordem de criação e a vontade de Deus".
O secretário também ressaltou o empenho desse papa contra o "comunismo ateu", expressado, principalmente, na encíclica Divini Redemptoris.
"Este pontífice sabia como governar a Igreja com vigor, enxergando com olhos novos as missões e as raízes católicas fora da Europa; foi sensível às questões emergentes na cultura e levou os católicos a se empenharem nas questões sociais", elogiou Bertone.
O papa Pio XI, Ambrogio Damiano Achille Ratti, exerceu seu pontificado de 1922 a 1939, ano de sua morte.
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